A Rede Setorial Madeira e Móveis é parte integrante das Linhas de Ação do Minas Design, que, por sua vez, integra um dos programas prioritários do Governo, através da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para a formação de parcerias com diversas instituições, públicas ou privadas, no intuito de tornar o mercado de Minas Gerais mais competitivo, uma vez que o design não só agrega valor ao produto como também abre novos espaços no mercado interno e externo.
O contexto
Minas Gerais possui um dos maiores e mais promissores parques para a industrialização de produtos em madeira do país. As grandes reservas de madeira nativa e cultivada, têm nesta última importante vantagem competitiva na área de produtos. Originalmente destinadas à produção de carvão vegetal para a indústria siderúrgica, hoje sem aplicação específica, a madeira cultivada apresenta-se como alternativa às restrições ambientais contra a exploração da madeira nativa.
A indústria mineira do mobiliário não apresenta diferencial competitivo em seus produtos, um dos elementos-chave para a concorrência nesse setor. A inexistência de design e tecnologia próprios restringe seu comércio ao mercado regional. Apesar do grande número de indústrias moveleiras, Minas Gerais contribui, anualmente, com menos de 1% das exportações brasileiras do setor.
Portanto, o setor como um todo necessita desenvolver vantagens competitivas e estratégias específicas, articuladas aos mercados, e estrutura produtiva mundial.
A globalização na sua abrangente forma de ação vem provocando consistentes mudanças no âmbito do cenário produtivo e mercadológico mundial. Qualidade e preço passaram à condição de pressuposto enquanto inovação e design consolidaram-se, efetivamente, como fatores diferenciais decisivos para a competitividade empresarial dentro da arena global.
O percentual de investimento em design, comparado ao custo de desenvolvimento de produtos, permite perceber que nas empresas e países protagonistas no mercado internacional, o design adquiriu o status de instrumento estratégico e soberano para a disputa de espaço no mercado verdadeiramente global.
No Brasil, modelos de política industrial e de desenvolvimento econômico descontinuados e de orientação equivocada, tiveram significativa influência na sub-utilização do design, retardando a aplicação do mesmo como atividade consciente e avançada no âmbito dos institutos de pesquisas, das Universidades e conseqüentemente da indústria nacional, inibindo a visão de longo prazo e frustrando importantes iniciativas anteriormente empreendidas.
Diagnósticos e análises preliminares sobre a indústria moveleira no Brasil e nos pólos regionais (dentre eles o de Minas Gerais), têm identificado questões que, cada vez mais, apontam para o design como uma estratégia para conferir maior competitividade aos produtos.
A concentração da indústria moveleira, tanto no Brasil quanto em Minas, no varejo, em função do processo de internacionalização comercial, a falta de um conhecimento mais estruturado sobre os produtos, sobre o perfil dos consumidores e os fatores que influenciam nas decisões de compra, são situações que exigem maior eficiência produtiva das empresas, em particular no que se refere ao design. O que é um cenário pouco promissor quando confrontado com a falta de investimentos em design (em Minas Gerais, menos de 40% das empresas investiram em design), o despreparo dos recursos humanos e materiais (cerca de 67% das empresas do setor não possui pessoal especializado em design e o uso de sistemas CAD é praticamente desconhecido entre as PMEs) e a resistência do meio empresarial que alegam os custos do investimentos em design proporcionalmente altos em relação ao seu baixo retorno imediato e que consideram o sistema de cópias (adaptação de vários modelos referenciados por revistas, catálogos e feiras) ainda eficiente.
Esse cenário se situa na contramão do que pode ser historicamente observado nos países que fizeram do setor moveleiro um de seus destaques internacionais, e sinaliza uma grande demanda para as ações que objetivem a aplicação do design como fator de inovação e diferenciação do produto e um dos elementos-chave para as condições de concorrência na indústria moveleira de Minas Gerais.
Objetivo Geral
A Rede Setorial Madeira e Móveis visa a integração de agentes sociais e econômicos ligados ao setor para a adoção de estratégias articuladas de promoção e desenvolvimento com base na incorporação do design pelo setor de madeira e móveis.
Objetivos específicos
- Promoção e desenvolvimento do design no setor.
- Pesquisa e desenvolvimento de materiais e processos produtivos.
- Criação de referências culturais e padrões tecnológicos e para a industria.
- Capacitação de recursos humanos alinhada à realidade produtiva e de mercado.
Estratégias
- Levantamento do estado da arte de todos os aspectos ligados ao setor (diagnósticos, mercado, tecnologias, processos, gestão, etc.)
- Busca de parcerias e integração das diversas instituições produtivas, empresas e universidade, criando vínculos cooperativos (ensino/pesquisa/extensão/produção)
- Elaboração de manuais com orientações técnicas para a construção de objetos e leitura de projetos e ergonomia.
- Pesquisa de novas tecnologias e usos para a madeira e organização das informações sobre os diversos segmentos do setor moveleiro identificando desafios e potencialidades existentes.
- Realização de cursos de qualificação e requalificação para a micro e pequenas empresas.
- Capacitação de profissionais em todos os níveis para atendimento às necessidades específicas do setor e necessidades setoriais.
- Implementação de programas de atendimento setoriais de design às micro e pequenas empresas do setor moveleiro do Estado de Minas Gerais.
- Intensificação das relações Universidade X Empresa, propiciando estágios efetivos no exercício profissional.
- Criação e promoção de eventos como mostras, concursos, premiações, etc.
- Atendimento às micro, pequenas e médias empresas do setor industrial. Composição de uma equipe formada por designers, engenheiros e técnicos especializados na utilização de ferramentas e metodologias modernas de projeto e manufatura.
- Conscientização dos empresários mineiros das indústrias do mobiliário e afins quanto a importância da certificação de seus produtos, como fator de competitividade através das ações prestadas pelo Instituto Xilon.
- Realização de testes e análises de materiais e produtos para atendimento às normas nacionais e internacionais vigentes.
- Criação de uma Unidade Móvel de Prototipagem para racionalizar atendimento priorizando os mais importantes pólos industriais e os emergentes do Estado de Minas Gerais.
- Criação de um banco de dados para a difusão de pesquisas e tendências, de mercado e referências mundiais.
- Implantação do site da Rede Setorial Madeira e Móveis para a difusão e troca de informações específicas ao setor.
Coordenação
- A coordenação desta rede setorial será feita pelo Centro de Estudos em Design da Madeira.
- A Escola de Design/UEMG em parcerias com instituições como CEAG, INDI/BDMG, SENAI, UFMG, organizações não governamentais, sindicatos e empresas da indústria do mobiliário, vem consolidando sua atuação na capacitação de recursos humanos e no desenvolvimento tecnológico do setor moveleiro de Minas Gerais.
- Na década de 80 foi criado Instituto de Tecnologia e Criatividade - ITEC (decreto-lei 3065 de 31/12/1983) que realizava cursos profissionalizantes e cursos de formação específica para capacitação de pessoal em atendimento às empresas. Nos cursos superiores - graduação em Design de Produto e Design de Ambientes vem formando profissionais que ganham prêmios nos concursos da área e se destacam no mercado de trabalho.
- A partir dos anos 1990, as atividades de extensão e pesquisa da Escola se expandiram com a realização de diversas mostras, exposições e palestras, promovendo, dentre outros, o desenvolvimento do design no setor da madeira. As pesquisas desenvolvidas na iniciação científica e na pós-graduação envolvem as áreas de aproveitamento qualitativo de madeiras alternativas, sua interface com o design e o desenvolvimento produtivo do setor. Os cursos de Mestrado e Doutorado em Engenharia de Materiais - REDEMAT - em parceria com a Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais / CETEC e a Universidade Federal de Ouro Preto / UFOP têm desenvolvido pesquisas e dissertações voltadas a essa área.
- As diversas atividades da Escola ligadas ao setor convergiram para a criação, em 1997, do Programa "Design e Utilização da Madeira Cultivada" em parceria com a Companhia Florestal / CAF, Instituto Estadual de Florestas / IEF e a Fundação Biodiversitas, quando o Núcleo da Madeira da Escola de Design se consolidou após se cadastrar no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq. Novas parcerias foram viabilizadas em 2000, com o Departamento de Estruturas da Escola de Engenharia / UFMG e em 2002 com o Programa de Pós-Graduação do Curso de Engenharia de Produção / UFMG.
- Outros cursos e eventos também associados ao desenvolvimento de produtos em madeira foram realizados, como o "1º Fórum da Tecnologia Moveleira" em junho/2002 na Feira de Móveis de Minas Gerais - FEMUR, em Ubá. Ainda em 2002 foi firmada parceria com o Núcleo de Desenvolvimento em design de Móveis de Minas Gerais do SENAI/FIEMG.
- Atualmente, o Centro da Madeira implantou o curso de pós-graduação lato-sensu de Design do Mobiliário e está editando os anais do evento "Egodesign I". Está desenvolvendo, ainda, um projeto para criar e disponibilizar mecanismos para o desenvolvimento de produtos madeireiros de alto valor agregado denominado HAVALOR e que tem como finalidade dar suporte técnico às marcenarias do Vale do Jequitinhonha, visando à geração de renda, à manutenção do emprego, à fixação de mão-de-obra no local e à sustentabilidade econômica e ambiental da região.
- A ampliação das atividades voltadas ao setor, incluindo um laboratório de Ergonomia, e a gama de ações desenvolvidas na área do ensino, pesquisa e extensão elevaram o núcleo à condição de Centro de Estudos em Design da Madeira.
Parceiros
UFMG, UFV, CETEC, Rede de metrologia de Minas Gerais, SINDMOV, Sistema FIEMG, FITEC, FCETM - Faculdade de Ciênicas Econômicas do Trângulo Mineiro, SIMU - Sindicato Indústria da Marcenaria de Uberaba, LIDEP Laboratório de Integração de Design e Engenharia de Produção, Masisa S. A., NdSM - Núcleo de Design e Seleção de Materiais da UFRS, UFOP, INTERCIND - Sindicato Intermunicipal das Industrias de Marcenaria de Ubá e Regiões, NDD - Núcleo de Desenvolvimento em Design do SINDIMOV, ABIPTI, IPT, CNPq, FAPEMIG, FINEP.